Síndrome do Pânico
 

Para o portador da Síndrome do Pânico, não existe etiologia que possa explicar toda a sintomatologia que manifesta-se, abruptamente e de forma absolutamente ímpar, para quem sofre de tais transtornos. O doente acredita que a doença desencadeia-se de maneira variável para cada um que sofre do mesmo mal, e que cada sintoma seu é único e intensamente seu e irá levá-lo, invariavelmente, à morte.

O portador da Síndrome do Pânico nunca sabe exatamente quando manifestou-se o mais discreto distúrbio comportamental de evitação; porém, é capaz de descrever, com detalhes, sua primeira crise aguda de pânico e, através dessa é que ele declara ter conhecido o "inferno" e que, por mais sobrevida que possa ter, jamais vivenciará experiência igualmente terrível!

O único e genuíno interesse do doente por tudo que esteja relacionada à Síndrome do Pânico, está diretamente focado para o tipo de tratamento mais eficaz, que possa lhe devolver sua tão sonhada liberdade; uma vez que, o portador da Síndrome do Pânico permanece, enquanto doente prisioneiro de si mesmo, dependente da pessoa que escolhe para confiar; paraplégico do medo, paralisado pelo pavor de dar o primeiro passo, temendo que não tenha alguém da sua confiança para ampará-lo e, desta forma, espera, imensamente feliz, que essa pessoa empurre, ainda que numa linguagem metafórica, sua cadeira de rodas.

Embora esteja consciente da força e perfeição do seu corpo, muito maior é o medo da fragilidade do seu desejo de ser livre que o impede de caminhar com as próprias pernas.

Ele precisa conseguir entrar em contato com o sentimento de um antigo abandono, sem entrar em pânico diante da possibilidade de, novamente, sentir-se abandonado, porque deverá saber o quanto pode dar conta de si próprio e reconhecer sua identidade; isto é o bastante, porque então, já não precisará de outro como figura indispensável para lhe legitimar enquanto pessoa.

Sem liberdade ninguém é feliz por inteiro e o portador da Síndrome do Pânico concorda com esta afirmativa, mais do que ninguém; porque, o acompanhamento escolhido, constitui para ele, enquanto sofre, o substituto de um deus particular, a quem o doente dirige seu pedido de ajuda de forma dramática, por meio de seus ataques de pânico. E, a tudo isso, paga com um preço altíssimo: com sua total alienação diante da incapacidade do ir e vir.

O grande desafio para os especialistas em saúde mental é conseguir que o portador da Síndrome do Pânico possa entrar em contato com a própria dor, trazendo para fora dos seus limites a lembrança dos sentimentos da infância, os vários objetos e situações fóbicas, a angústia do aniquilamento, o ódio reprimido, a energia estagnada, a fantasia fantasmagórica de abandono.

É claro que reviver dor antiga é sofrer duplamente e todos sabem o quanto isso é difícil; no entanto, não dá para o portador da Síndrome do Pânico se isentar. Para tanto, é indispensável que o profissional tente fazer com que esse doente saia de um lugar tão comum que é o da superficialidade, no qual ele vive sem se dar conta porque já se habituou a não entrar profundamente nas situações, temendo que, de alguma forma, possa ser machucado, rejeitado, preterido e não suportar tamanha dor.

É tarefa do profissional facilitar a visão de que, enquanto doente psicossomático, o portador da Síndrome do Pânico precisa do acompanhamento tanto fármaco quanto psicoterápico, combinados de tal forma que deva ser, exatamente essa, a conduta mais adequada.

Essas terapêuticas simultâneas e paralelamente mostrar-se-ão eficazes à medida que um e outro profissional demonstre, de forma honesta e humana, o quanto se importa com o doente que, dessa forma, verdadeiramente acolhido e somente assim, sentir-se-á confiante e estimulado a resgatar sua auto-estima e autonomia, podendo entrar em contato com a dor e, através dela, com o desejo de finalmente ser feliz, sem medo de ser livre.

 
Consultório
Zona Sul - Rio de Janeiro

Telefones:
(21) 2147-6547
(21) 97996-4440

FaceBookInstagram